Sábado, 17 de Janeiro de 2009

A Escrita Criativa pode ser...contagiante!...   

 

    Na Escola do Sebal, na turma do 1º e 2º Ano a Professora, depois de lido e explorado o Texto, em forma de poema "O anúncio de Jornal" , extraído do livro  "O porco Cozinheiro " de Fernando Cardoso, convidou o grupo do 2º ano,a reescreverem, individualmente, o texto. Mas desta feita, a personagem principal não seria o "porco" mas outro animal escolhido por cada um dos alunos.

Então, a MARIA escreveu assim:

Anúncio de jornal                         

  Gata foge de casa

Já cansada de dormir
naquela tão porca casa                                           
resolveu a gata fugir
e roubou um laço.
 
 
-Já não vou para casa.
Dono novo vou arranjar.
Um anúncio de uma gata perdida
e pronto ,vou arranjar um dono.
 
Um prédio muito arrumado           
Ó minha santa mãezinha
-Minha gata tão bonita
diz o dono da gata
 
O sofá é bom
O dono é tão bom que é demais,
mas voltar para a casa velha
É que nunca mais.  
 
    A Luisa, igualmente orgulhosa do seu texto, chegou a casa e foi mostrá-lo aos seus pais.
     Passado alguns dias, a mãe da Luisa entregou à professora um texto escrito pelo pai, em sequência do trabalho elaborado pela filha.
 
O anúncio do burro
 
Já cansado de zurrar
No estábulo dos bacorinhos,
Resolveu o burro zarpar
Para a terra dos vizinhos                                  
 
-Já não vou mais p’ro redil
nem ponho mais avental,
Pisgo-me, de noite, subtil
E boto anúncio no jornal:
 
Burro esperto quer aprender
As mil artes da vizinha. É sereno
Só dá coices, se não comer
Erva seca, trevo velho e muito feno!
 
Sabe mil línguas, fala com todos os animais
E o que é mais
É de bom trato
e barato
e outras coisas que tais
Tratar com: senhor Burro Asno Jerico da Silva Jumento
O mais burro dos animais
Morada: por baixo do firmamento
 
Um espertalhote tratador de cavalos,
Mais sabido q’ uma mula,
Leu o anúncio e depois de adestrá-los
Mandou chamar a azémola
 
Veio para o circo o jumento,
Dar voltinhas de palhaço                                           
Mas apanhou tal «cagaço»
Que nem lhe sobrou lamento…                                
 
Era o, leão a rugir… á procura de sustento,
Era a cobra a azarar… para a tripa aferrolhar
Era o tratador a chibatar… para o nosso burrico saltar…                 
 
E para mais
O director dos tratadores
Tinha proibido a todos os animais
Que elegessem seus procuradores:
 
Representantes ficam expressamente proibidos aos animais
- lia-se no grande cartaz
E o burro (que não era mau rapaz)
a tinta de cor
Logo acrescentou, pensando na besta do director;
E outros que tais    
 
«Rico circo… onde eu vim parar?»
Perguntava o jumentinho,
Quando à noite enfim sozinho
Lá se punha a cismar
 
E lembrava-se então dos porquinhos,
Na esterqueira onde nascer(cheirava mal é bem certo         
Eram bem mais felizes decerto!
Mas mal ou bem lá vivera
O Diabo não seja esperto!
 
Certo dia num espectáculo, com a casa cheia
De meninos e meninas da cidade
Que faziam muito barulho (e mais de barriga cheia)
Muito mais que os da sua idade
 
Lembrou-se o senhor
Burro Asno jerico da Silva Jumento
O mais burro dos animais,
Dar aos cascos no empedrado
E escapou-se dos currais
Onde vivia escravizado.
 
Esperou, na confusão,
Entre os gritos das crianças
E esgueirou-se por um portão,
Que ´é dos artistas das danças…
 
E pôs-se na estrada
Para a estrequeira onde toda a família dos burros
 fora criada.
Chegado lá, põs-se no portão aos coices e aos murros
À espera de ter entrada.
 
Mas o dono lá do sítio
Que fora outrora um grandessíssimo porcalhão,
 Tinha agora tudo limpinho: Nem uma palha no chão! 
(tinha por lá passado
aquela gente da ASAE
e depois de tanta multa, ai! ai!
Estava tudo controlado)
 
Os porcos, comiam de luvas, com garfo e faca,
E botavam guardanapos por baixo dos focinhos;
Até a doidivanas da vaca …
Palitava agora os dentinhos…
O galo já não estrumava em todo e qualquer local:
Tem agora uma portinhola onde bem se vê:
«W. C.»
E por baixo Galos de Portugal,
Trade mark!
E as diodas das rolinhas, sempre doidas a voar,
Faziam agora turnos… para esvoaçar
Com plano de voo e hora de embarque!
 
Recomposto o nosso burro,
(obrigaram-no a tomar banho quente e frio
Para matar o piolho e dar cabo do bafio…)
Lá dormiu sossegado, quieto e sereno. Sem um lamento,
(parecia um santo depois de tanto tormento)
Um protesto mais,
Esta é a história do anúncio do senhor burro Asno Jerico da Silva Jumento
O mais burro dos animais.
 

Pai da Luisa

 

--- Que tal?! FANTÁSTICO, não é?!

 - Parabéns à turma do 2º Ano pelo entusiasmo e participação no trabalho proposto.

 - Parabéns, ao PAI da LUISA, por se ter deixado contagiar e dar o seu contributo.

 - Parabéns à Srª PROFESSORA, por ter a capacidade e a sensibilidadede apresentar, à sua turma, propostas sugestivas de trabalho e dar a possibilidade de partilhar, contagiar e envolver a restante comunidade escolar com seu trabalho.

   Assim, todos ficaram muito mais próximos, cúmplices e cooperantes na Educação dos nossos filhos, futuros homens deste país.

Obrigada.

                                                             

  
 


publicado por pnep-condeixa às 12:16
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